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Arcebispo foi apressado com excomunhão de médicos, diz jornal do Vaticano

Repórter: Editor Data: 17/mar/2009 Canais: Manchetes, Religião. Comentários e Pings desabilitados.

Monsenhor Fisichella: arcebisbo brasileiro se apressou

Monsenhor Fisichella: arcebisbo brasileiro se apressou

O arcebispo de Recife e Olinda, José Cardoso Sobrinho, foi apressado e deveria ter se preocupado primeiro com o bem estar espiritual da menina, segundo o Monsenhor Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, do Vaticano. Ele comentou o caso de excomunhão ocorrido recentemente no Brasil em artigo publicado neste sábado pelo jornal da Santa Sé, o Osservatore Romano.

“São outros que merecem a excomunhão e nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e a ajudarão a recuperar a esperança e a confiança, apesar da presença do mal e da maldade de muitos”, escreve Monsenhor Rino Fisichella, um dos mais próximos colaboradores do papa Bento 16 e maior autoridade do Vaticano em bioética.

Excomunhão automática para aborto

Segundo o Monsenhor, a excomunhão em caso de aborto é automática e não havia necessidade de dar tanta publicidade à medida. O anúncio da excomunhão por parte de D. Jose Cardoso Sobrinho teria desta forma colocado em risco a credibilidade da Igreja Católica.

“O caso ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão para os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, infelizmente, teria passado despercebida se não fosse pelo alvoroço e pelas reações provocadas pelo gesto do bispo,” critica o Monsenhor.

“Era mais urgente salvaguardar a vida inocente e trazê-la para um nível de humanidade, coisa em que nós, homens de igreja, devemos ser mestres. Assim não foi e infelizmente a credibilidade de nosso ensinamento está em risco, pois parece insensível e sem misericórdia”, escreve o bispo.

Como agir nesses casos?

“Como agir nesses casos? É uma decisão difícil para os médicos e para a própria lei moral. Não é possível dar parecer negativo sem considerar que a escolha de salvar uma vida, sabendo que se coloca em risco uma outra, nunca é fácil. Ninguém chega a uma decisão dessas facilmente, é injusto e ofensivo somente pensar nisso,” diz o artigo.

Com informações da BBC Brasil

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