O Conselho de Governo do Iraque, instalado pelos Estados Unidos após a invasão que tirou Saddam Hussein do poder, reuniu-se ontem pela primeira vez. Uma das primeiras decisões foi a abolição de feriados nacionais que honravam o ex-presidente e a criação de um novo dia de descanso que celebra justamente a queda do regime anterior.
O conselho interino é formado por 25 membros e tem poder para nomear ministros, aprovar o orçamento nacional e rever as leis. Mesmo assim, a autoridade final continua nas mãos das forças de ocupação que governam o Iraque desde que os EUA derrubaram Hussein, em 9 de abril. “Saddam foi jogado na lata de lixo da história e não voltará”, disse Mohammad Bahr al-Uloum, clérigo xiita e membro do conselho. Ele teve muitos parentes mortos pelo governo anterior.
Sérgio Vieira de Mello: Brasileiro favorável
O brasileiro Sérgio Vieira de Mello, representante especial da ONU para o Iraque, está acompanhando de perto a reorganização política do país, e concorda com a comemoração do feito americano. “Há momentos determinantes na história e hoje, para o Iraque, é definitivamente um deles”, disse.
Ainda não há informações sobre a opinião dos iraquianos sobre o conselho. Mas o grupo representa aproximadamente a composição étnica e religiosa do Iraque, com maioria aos muçulmanos xiitas, em contraste com a posição deste grupo durante o governo de Saddam. A elite anterior era de muçulmanos sunitas, que marginalizavam os xiitas. Durante o encontro do conselho em um edifício em Bagdá, os militares dos EUA disseram que lançaram uma nova operação para impedir ataques contra as forças na região.
A administração norte-americana no Iraque vê a formação do conselho como o primeiro passo a caminho da democracia no país. Ainda falta elaborar uma nova constituição, que precisará ser aprovada em referendo e, finalmente, eleições livres. Por enquanto, ninguém falou sobre a administração dos poços de petróleo existentes no país.
Redação | Popular.inf.br





