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Escola particular recebe material reciclável para diminuir inadimplência

Repórter: Beatriz Lorente Data: 26/jul/2003 Canais: Ambiente, Negócios. Comentários e Pings desabilitados.

Alternativas para diminuir mensalidades em atraso são diversas no país. Em Campo Grande, um colégio particular recebe em produtos para serem reciclados

A inadimplência nos colégios particulares sobe na mesma proporção em que aumenta o desemprego. Segundo o Conefem – Confederação Nacional dos Estabelecimentos Ensino, nos seis primeiros meses desse ano o total de alunos com mensalidades em atraso passou de 25% para 35%. Para contornar a situação, algumas escolas estão com projetos alternativos.

Em Campo Grande, o Colégio Batista Sul Mato-Grossense iniciou em maio um programa de coleta de material reciclável que é trocado por descontos na mensalidade. Segundo a secretária da escola Lourdes Ferreira Vieira, a idéia surgiu de uma campanha semelhante realizada por um município e está dando certo. “Adaptei o projeto para o colégio que está com alto índice de inadimplência e todos se beneficiam”, resume.

Em outros estados também há alternativas para ajudar na situação das escolas com alto índice de inadimplentes. Marcelo Batista de Sousa, presidente do Sinepe/SC – Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina, encaminhou aos prefeitos catarinenses uma proposta interessante: trocar vagas nas escolas particulares por isenção fiscal.

Em São Paulo, as escolas particulares também estão pensando na melhor forma de agir diante da situação. Os caminhos podem ser os programas de crédito educativo e a contratação do seguro-educacional, que cobre as despesas com mensalidades em caso de desemprego do responsável pelo aluno. A única empresa que faz este serviço diz que a procura está crescendo em todo país. Segundo Marcelo Debiasi, diretor da Bradesco Seguros, o custo pode chegar ao adicional de 1,6% a 3% ao mês, dependendo do contrato.

Mais de duzentas escolas já aderiram à idéia de “segurarem” o recebimento. Mas para ter direito à cobertura, o aluno tem de estar matriculado há pelo menos 3 meses e o pai ou responsável tem de estar empregado há mais de um ano. Outra opção foi a do colégio Brasil, um dos mais tradicionais de São Paulo, que substituiu o papel por sistemas informatizados. “No começo, os professores estranharam aplicar as provas usando o computador”, conta a diretora Gleice du Cataldo. Mas com a substituição, o custo da mensalidade caiu trinta por cento e a inadimplência 18%.

Com a Lei 9.870 de 23 de novembro de 1999, foram proibidos os métodos até então mais usados pelas escolas para cobrança dos atrasados. Medidas como a suspensão de provas escolares, retenção de documentos ou a aplicação de medidas anti-pedagógicas por motivo de falta de pagamento, se tornaram ilegais. Os estabelecimentos acabaram obrigados a expedir guias de transferência, mesmo se o aluno estiver com mensalidades em atraso. As escolas não podem reincidir o contrato ou expulsar o aluno durante o ano letivo, mas podem não aceitar a matrícula para o ano seguinte pois a legislação permite.

Colégio tem bons resultados em Campo Grande

A idéia do Colégio Batista tem agradado. Antes do programa de reciclagem, cerca de trinta por cento das mensalidades estavam atrasadas. Segundo Lourdes, em dois meses o índice caiu para vinte por cento. Os pais aceitaram bem a iniciativa. Ela conta que a escola também desenvolve um trabalho pedagógico com a proposta. “Os alunos aprendem desde cedo a importância de reciclar”, explica.

Beatriz Lorente | Popular.inf.br

Comentários

Juliano Borella
julianocgr@bol.com.br – Em: 25/07/2003
Escola particular usa material reciclável para diminuir inadimplência
Muito interessante a proposta do colégio. Acho que mais gente tem que se conscientizar da importância da reciclagem. Ainda mais se for para resolver um problema grave como o das prestações nos colégios. Queria que minha escola pensasse como vocês.

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