A participação dos negros na história do Brasil sempre recebeu menos importância do que o merecido. Informações importantes sobre as influências que recebemos da África ficam quase sempre reduzidas em pequenas definições teóricas nos livros escolares. Um quilombo, por exemplo, na maioria das vezes faz as pessoas lembrarem de episódios como a queda de Palmares.
Poucos imaginam que aqui mesmo, perto do centro de Campo Grande, existe uma comunidade remanescente do tempo em que os afro-descendentes ainda estavam experimentando a liberdade.
A história começou quando Eva Maria de Jesus, uma ex-escrava que veio de Goiás em 1905, fez uma promessa religiosa para São Benedito. Como ela tinha uma ferida na perna e não sabia mais como se tratar, prometeu que, se fosse curada, construiria uma igreja para o santo católico.
A cura aconteceu e, trabalhando como parteira, logo Eva comprou por 85 mil réis uma área de oito hectares onde construiu uma pequena igreja, primeiro de madeira, e em 1919, de alvenaria. A “Igrejinha”, como ficou conhecida, existe até hoje e foi tombama como patrimônio histórico.
Além da igreja, “Tia Eva”, como a ex-escrava passou a ser tratada, fez surgir nas terras que comprou um verdadeiro quilombo. Parentes chegaram, famílias surgiram e assim começou a Comunidade de São Benedito, sempre mantendo a tradição religiosa iniciada pela matriarca.
“Tia Eva” morreu em 1926, e deixou no local mais de 300 descendentes que se organizaram e mantêm até hoje os laços familiares e as raízes africanas. Em 1984 alguns parentes iniciaram a organização oficial do quilombo com o registro da Associaçã
o Beneficente dos Descendentes de Tia Eva, que, segundo o atual presidente, Sérgio Antônio da Silva, mais conhecido como “Seu Michel”, só começou a funcionar mesmo há uns 6 anos.
“Michel” conta que atualmente existem descendentes de Tia Eva em todas as partes de Campo Grande, e somente na Comunidade de São Benedito ainda residem cerca de 70 famílias.
Eser Cáceres | Popular.inf.br





